sábado, 19 de dezembro de 2015

Não do que mais sinto falta, se das constantes mensagens trocadas a todo momento, ou dos beijos e dos abraços, ou das vezes que nos pegávamos vagando sem rumo, apenas perambulando para termos um minuto a mais juntos. Não consigo esquecer das datas que foram importantes, dos lugares em que gastávamos nossa sorte pela noite. 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Sexta-Feira


Acordar pelas manhãs nunca mais teve o mesmo sabor, e nestes dias de inverno acordar cedo pelas manhãs tem sido ainda mais tortuoso. Me arrumo, sem muitos caprichos, e quando olho no espelho, para meu cabelo mal penteado e para a barba, que desleixada cresce, vejo muito de você no que sobrou de mim. O café amargo de cada dia virou meu motivador para seguir um dia a mais. No trânsito a mesma música cantarola todo dia quando o semáforo na beira-mar fecha. Minha cara diz que estive muito focado no projeto do mês, minha realidade diz para tirar férias e esquecer aquele dia, o bom dia seco só confirma isso. 

No fim do dia olho para seu retrato, que ainda persiste em existir na minha mesa, e lembro da música que tocava no primeiro dia em que nos conhecemos, que meses depois virou foto de presente de alguns meses de namoro, "eu olho para o infinito, e você de óculos escuros", sempre achei estranho na foto nós dois estarmos de óculos, mas sempre você explicava a ideia de que não importava quem olhava para o infinito, contanto que o outro estivesse de óculos escuros. Ao final da tarde lá estava eu, olhando o por do sol no infinito e você lá, na foto de óculos escuros, olhando para onde você quisesse olhar. 

Nas sextas, como de costume, um convite encerra o dia, mas desta vez não pude aceita-lo. Dei a desculpa que precisaria terminar alguns itens do projeto, a casa vazia e cinza,  sem vida ou glamour, era apenas um lugar para se deitar a cabeça. O whiskey ajuda a tragar a fria noite, de algumas estrelas no céu, nossa música toca, e volto a pensar o quando de mim foi com você, eu sempre tão desajeitado e você sempre tão pragmática. 

Voltei a meu labirinto, os finais de semana especialmente estacionares já não existiam mais, e só mais uma dose me ajudaria a esquecer isso, mas a música continuava a martelar minha cabeça, "Eu olho pro infinito/ E você de óculos escuros./ Eu digo: "Te amo!"/ E você só acredita quando eu juro." Penso que talvez não tenha jurado o suficiente, e talvez isso que nosso retrato queria dizer. 

Fechei os olhos, mas dormi sem sono.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Sob uma mascara de pedra
Pousa meu ser, inexistência 
Única razão pela qual um vive, 
E dentro deste decrépito simulacro
Não há opções de viver ou morrer
Apenas continuar trilhando 
O caminho que o vento lhe soprar.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Rabiscos

Apenas rabiscos, são tudo o que tenho.
Em busca de algo sublime, o vulgar achei
Errei e ainda erro por este caminho torpe
Em busca de algo vero, apenas rabiscos encontrei.

Símile míope, nota torcida, pirita a reluzir qual ouro.
Distinto brilho a sonhar, estrela; corrompido satelite.

Clara evidência

Toda poesia morreu
No emaranhado de cobertas
Quando o beijo verteu-se em
Eu te amo. 

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Toda realidade rompeu-se
Quando o cobertor cortou
As veias que aconchegavam
A torpe existência.



segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

domingo, 22 de dezembro de 2013

Aquela pouca conversa era o suficiente, não sei por quantas semanas mais, conversar com ela, nem que distante, sempre me trazia uma imensa calma, não importava se era chuva ou fogo que caía do céu, mas havia nessa relação, de linha fina quase se rompendo, algum encantamento; era o que eu me fazia acreditar.  A musica não ajudava em nada, ainda te amo, era o que repetidamente dizia, era como um martelo deixando seu eco agudo, como uma infante brincadeira de se bater em latas, não... não era uma bateria. Promessas ocas, refletidas com o assovio, às vezes, aterrorizante do vento. Seu sorriso não mudara em nada, talvez esteja mais bela; a distancia tem esse poder, equações não conseguem resolver esse problema, mas fazer o que, conversar com ela sempre me foi suficiente. Poucas coisas ficam lá, paradas, inertes ao tempo, e poucas pessoas não mudam com o passar do mesmo. Acredito que ela fica cada dia mais bonita. Mas as muralhas se ergueram, porque razão? me foge a compreensão de que um dia, o tempo me foi um bufão travesso. São lobos que uivam ao luar, mas não havendo lua... o sono já me confunde os sentidos, talvez apenas uma guitarra solitária, chorando, ao reflexo de luzes alaranjadas da cidade inundada. Uma coisa por certo eu posso tomar, não havia lagrimas naquela noite, era a chuva que escorria por meu rosto.