sexta-feira, 25 de julho de 2014

Sexta-Feira


Acordar pelas manhãs nunca mais teve o mesmo sabor, e nestes dias de inverno acordar cedo pelas manhãs tem sido ainda mais tortuoso. Me arrumo, sem muitos caprichos, e quando olho no espelho, para meu cabelo mal penteado e para a barba, que desleixada cresce, vejo muito de você no que sobrou de mim. O café amargo de cada dia virou meu motivador para seguir um dia a mais. No trânsito a mesma música cantarola todo dia quando o semáforo na beira-mar fecha. Minha cara diz que estive muito focado no projeto do mês, minha realidade diz para tirar férias e esquecer aquele dia, o bom dia seco só confirma isso. 

No fim do dia olho para seu retrato, que ainda persiste em existir na minha mesa, e lembro da música que tocava no primeiro dia em que nos conhecemos, que meses depois virou foto de presente de alguns meses de namoro, "eu olho para o infinito, e você de óculos escuros", sempre achei estranho na foto nós dois estarmos de óculos, mas sempre você explicava a ideia de que não importava quem olhava para o infinito, contanto que o outro estivesse de óculos escuros. Ao final da tarde lá estava eu, olhando o por do sol no infinito e você lá, na foto de óculos escuros, olhando para onde você quisesse olhar. 

Nas sextas, como de costume, um convite encerra o dia, mas desta vez não pude aceita-lo. Dei a desculpa que precisaria terminar alguns itens do projeto, a casa vazia e cinza,  sem vida ou glamour, era apenas um lugar para se deitar a cabeça. O whiskey ajuda a tragar a fria noite, de algumas estrelas no céu, nossa música toca, e volto a pensar o quando de mim foi com você, eu sempre tão desajeitado e você sempre tão pragmática. 

Voltei a meu labirinto, os finais de semana especialmente estacionares já não existiam mais, e só mais uma dose me ajudaria a esquecer isso, mas a música continuava a martelar minha cabeça, "Eu olho pro infinito/ E você de óculos escuros./ Eu digo: "Te amo!"/ E você só acredita quando eu juro." Penso que talvez não tenha jurado o suficiente, e talvez isso que nosso retrato queria dizer. 

Fechei os olhos, mas dormi sem sono.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Sob uma mascara de pedra
Pousa meu ser, inexistência 
Única razão pela qual um vive, 
E dentro deste decrépito simulacro
Não há opções de viver ou morrer
Apenas continuar trilhando 
O caminho que o vento lhe soprar.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Rabiscos

Apenas rabiscos, são tudo o que tenho.
Em busca de algo sublime, o vulgar achei
Errei e ainda erro por este caminho torpe
Em busca de algo vero, apenas rabiscos encontrei.

Símile míope, nota torcida, pirita a reluzir qual ouro.
Distinto brilho a sonhar, estrela; corrompido satelite.

Clara evidência

Toda poesia morreu
No emaranhado de cobertas
Quando o beijo verteu-se em
Eu te amo. 

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Toda realidade rompeu-se
Quando o cobertor cortou
As veias que aconchegavam
A torpe existência.